#245 “Duna” – com Ana Rusche e Eduardo Marks de Marques

Saudações pessoas! No episódio de hoje recebemos Ana Rusche (@anarusche) e Eduardo Marks ( @edmarks_ ) para uma conversa sobre a obra-prima de Frank Herbert, suas sequências de qualidade duvidosa e suas adaptações cinematográficas controversas. Começamos refletindo sobre porque Duna é a obra de ficção científica mais vendida de todos os tempos e o que faz dela tão única e influente. Falamos  sobre as adaptações para o cinema – do fracasso dirigido por David Lynch à estrondosa influência do filme nunca realizado por Jodorowski – e sobre o que esperar da nova tentativa de Dennis Villeneuve em trazer Duna às grandes telas. Discutimos como Duna é uma obra complexa, na qual um futuro é imaginado e tornado vivo em suas dimensões políticas, religiosas, econômicas e ecológicas. Duna inaugurou um novo estilo de ficção científica, marcada pela inevitabilidade da tragédia e pelo fascínio com o desconhecido, calcada na contracultura dos anos 60 mas profundamente pessimista com a política como meio para a mudança. Tudo isso e muito mais nesse episódio especial. Umma tamut wa-umma tanbut!

Referências

Jodorowsky’s Dune

David Lynch’s Dune

Dicas Culturais

(Livro) Os Despossuídos

(Livro) História da sua vida e outros contos

(Conto) Sonharão no Jardim

(Livro) Piquenique na estrada

(Livro) O Problema dos Três Corpos

(Newsletter) Fogo Baixo

(Série) Billions

(Série) O Último Reino

– –

Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com

– –

Expediente

Pai-Fundador: Felipe Abal

Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã

Capas: Gui Toscan

Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#244 “Nazismo Chinelão” – com Acácio Augusto

Saudações pessoas! No Viracasacas dessa semana recebemos novamente Acácio Augusto, professor no Departamento de Relações Internacionais da UNIFESP, para uma conversa sobre como a Lei de Godwin ACABOU. Em 2018, quando Jair Bolsonaro liderava as intenções de voto para presidente, sobravam analistas políticos e articulistas dizendo que ele não poderia ser chamado de “extrema-direita” ou que era absurdo compará-lo a nazistas e fascistas históricos. Tudo isso enquanto ele subia em palanques para ameaçar a oposição de extermínio ou exílio. Enquanto Bolsonaro agia para difundir o discurso de violência e os ideais de uma extrema-direita filofascista, partes significativas da imprensa e da inteligência brasileira corriam para normalizá-lo. No cenário pós-eleitoral a imprensa passou a dar destaque para o trabalho de quem se dispôs a analisar as diversas “coincidências” e relações entre o bolsonarismo, o clã Bolsonaro e organizações nazifascistas. Das antigas correspondências com fóruns neonazistas levantadas pela antropóloga Adriana Dias, às várias declarações e defesas públicas de apologistas do nazismo, fotos com seguidores vestidos de oficiais da SS, atos cívicos organizados e encabeçados por neonazistas, idas a clubes de tiro nas quais é abundante a simbologia nazista,  etc etc etc… E nem estamos falando do uso de slogans nazistas pelo Governo Federal e das várias “coincidências” como a vice-governadora bolsonarista neta de um dos maiores negacionistas do Holocausto no Brasil, ou o já celebre pronunciamento no qual um ex-Secretário de Cultura faz um cosplay do Goebbels. Se formos citar as “coincidências” em relação ao Integralismo e ao Fascismo Italiano as linhas seriam intermináveis. Para além da estética e de uma suposta “ironia” nessas constantes referências ao nazismo e ao fascismo falamos também sobre as consequências materiais de se ter um governo alinhado à extrema-direita, traduzida na morte de centenas de milhares de brasileiros e na destruição organizada do país pra benefício de poucos. Aos analistas políticos dos jornalões deixamos uma pergunta: já pode chamar de fascista? E de nazista?

Referências

Neonazistas ajudam a convocar “ato cívico” pró-Bolsonaro em São Paulo

Líder de ato neonazista pró-Bolsonaro em 2011 organiza carreatas em apoio ao presidente em SP

Pesquisadora encontra carta de Bolsonaro publicada em sites neonazistas em 2004

Carlos e Eduardo Bolsonaro praticam tiro em clube nos EUA acusado de usar sinais nazistas

Dicas Culturais

(Livro) Autodefesa – Uma Filosofia da Violência

(Filme) O Porteiro da Noite

(Mangá) Vinland Saga

– –

Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com

– –

Expediente

Pai-Fundador: Felipe Abal

Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã

Capas: Gui Toscan

Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#243 “Tradicionalismo, Islã e a Direita” – com Muhammad Puncha

Saudações pessoas! No episódio dessa semana recebemos novamente Muhammad Puncha (no Twitter: @muhammadpuncha), professor e Doutorando em Ciências Sociais na UNESP, para uma conversa sobre as estranhas interseções entre essa direita insurgente, a filosofia obscura conhecida como tradicionalismo e as políticas relativas ao Islã. Começamos retomando a desastrosa “gestão” Ernesto Araújo no Ministério das Relações Exteriores na qual o 4chanceler fez uma política externa marcada pelas posições paranoicas de uma direita avessa à qualquer tipo de multilateralismo. Araújo, que se fez conhecido na direita brasileira por um ensaio no qual invocava diversos ideólogos tradicionalistas para dizer que Trump iria “trazer Deus de volta à política” e salvar o Ocidente, foi o primeiro Ministro de Estado brasileiro a se guiar explicitamente por essa filosofia obscura. Falamos sobre o que é o tradicionalismo, um pouco de sua história, sua expressão esotérica, seus principais expoentes e sua relação com a extrema-direita em diversos momentos. Num Brasil devastado por uma direita que investiu num projeto de destruição nacional, o tradicionalismo está presente principalmente na figura do autointitulado filósofo Olavo de Carvalho e de seus seguidores, que ocupam diversos cargos no governo e além. Falamos sobre a relação dessa figura com o Islã tradicionalista e como ele e outros tradicionalistas (e expoentes da extrema-direita) usam essa relação para operar um jogo-duplo no qual a islamofobia domina e uma suposta “islamofilia” é acionada em diversos momentos convenientes.

Referências

A Proliferação do Neo-Tradicionalismo Islamista Brasileiro

A infiltração neofascista no PDT

A derradeira análise da obra de Olavo de Carvalho, para nunca ter de lê-lo

Viracasacas #88 Islã, Ocidente e o Chanceler Medieval – com Muhammad Puncha
Fagulha #20: Tradicionalismo e neofascismo – com Kaique e Letícia
DS #243 – O Retorno do Tradicionalismo e a ascensão da extrema direita populista

Dicas Culturais

(Filme) Um Homem com uma Câmera

(Canal)  Madrassa Virtual Al-Wadud

(Livro) Moby Dick

(Anime) Vinland Saga

– –

Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com

– –

Expediente

Pai-Fundador: Felipe Abal

Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã

Capas: Gui Toscan

Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#242 “Medo e Delírio em Passo Fundo” – com Cristiano Botafogo e Pedro Daltro

Saudações pessoas! Nesse episódio do Viracasacas nós recebemos Cristiano Botafogo e Pedro Daltro, criadores do blog e do podcast Medo e Delírio em Brasília. Pegando o gancho da nossa esplêndida e patriótica ARTE REAÇA falamos sobre recentes tentativas de representar o Grande Messias, JAIR BOLSONARO, sobre a lisergia da política nacional e sobre como é fazer um podcast que cobre tão meticulosamente a pororoca de chorume que é o bolsonarismo. Discutimos os limites do jornalismo corporativo, a escola Hunter Thompson de reportar o absurdo e a necessidade de irreverência e uns palavrões pra falar dar conta da desgraça que os malditos milicos infligiram sobre o Brasil. Coloque seu chapéu de alumínio e venha conosco. FORTES SINAIS!

Dicas Culturais

(Livro) Duna

(Podcast) Rapcru – Daniel Ganjaman

(Músico) Lazzo Matumbi

(Podcast) O Código do Russo

(Livro) O Estado Empreendedor

(Canal) Jornal de Casa – com Victor Camejo

(Álbum) Nelson Gonçalves Canta Tangos Inesquecíveis

(Livro) Fear and Loathing at Rolling Stone: The Essential Writing of Hunter S. Thompson

– –

Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com

– –

Expediente

Pai-Fundador: Felipe Abal

Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã

Capas: Gui Toscan

Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#241 “O Russo que lascou o Brasil” – com Alcysio Canette

Saudações pessoas! Nesse episódio recebemos o esforçado Alcysio Cannette, advogado e produtor de podcasts para uma conversa sobre “O Código do Russo”, podcast documental sobre a ascensão e queda de Sérgio Moro produzido em conjunto com Orlando Calheiros. Comentamos sobre os episódios já lançados, os bastidores da produção e das entrevistas e o que esperar na próxima temporada. Falamos das várias faces de Sérgio Moro: o juiz comum, a figura midiática, o ministro de um governo desfuncional e destrutivo. Por quê Sérgio Moro pode fazer o que fez? O quanto sua atuação contribuiu para o domínio do Bolsonarismo? Como diabos deixamos que um juiz de primeira instância e um bando de promotores carreiristas arrebentassem a República a troco de nada? Escute esse episódio antes ou depois de “O Código do Russo” e vamos tentando responder a essas perguntas.

Dicas Culturais

(Podcast) O Código do Russo
(Livro) Os Fundamentos Éticos do Devido Processo Penal
(Jogo) Left 4 Dead 2
(Jogo) Pathfinder: Kingmaker

– –
Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com


– –
Expediente
Pai-Fundador: Felipe Abal
Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã
Capas: Gui Toscan
Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#240 “Mont Pèlerin e as origens do neoliberalismo” – com Amaro Fleck

Saudações pessoas! Nesse episódio recebemos Amaro Fleck, professor do Departamento de Filosofia da UFMG, para uma verdadeira aula sobre as ideias e acontecimentos históricos que levaram ao surgimento do neoliberalismo. Começamos discutindo a polissemia do conceito de neoliberalismo e as tentativas de diversos autores liberais e conservadores em enquadrá-lo como um “não-objeto”, pouco digno de análise. Falamos então sobre a Sociedade de Mont Pèlerin, suas ideias e como ela foi instrumental para a desqualificação das experiências de planejamento socialistas ou social democratas; a produção de um domínio da economia ortodoxa na análise e produção de políticas públicas; associação entre o planejamento e a ditadura ou escravidão. Discutimos as diversas figuras e ideias que passaram pela sociedade de Mont Pèlerin, seu estrito contato com diversas figuras influentes de conglomerados de mídia, suas disputas e sua posterior radicalização. Todo esse caldo contribuiu para mover a “Janela de Overton” tão para a direita que o que hoje chamamos de socialismo não passa das mais tímidas políticas gerenciais da social-democracia do pós-Segunda Guerra. Terminamos discutindo o conceito de uma “direita intransigente”, qual a sua relação com o liberalismo conservador de Mont Pèlerin e como ele pode ser usado para entender o que se passa no Brasil e no mundo. Clica aí!

Referências
Neoliberalismo, Isto Existe?
Neoliberais e ultradireita: o tronco único
Sobre O caminho da servidão, de Friedrich Hayek | Entrevista com Amaro Fleck

Dicas Culturais

(Livro) Tempo Comprado
(Livro) Menos Marx, Mais Mises – o liberalismo e a nova direita no Brasil
(Livro) Neither Vertical nor Horizontal – A Theory of Political Organization
(Livro) O Tempo das Catástrofes
(Filme) Worth

– –
Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com


– –
Expediente
Pai-Fundador: Felipe Abal
Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã
Capas: Gui Toscan
Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#239 “Entropia, pós-verdade e cibernética” – com Letícia Cesarino

Saudações pessoas! No Viracasacas dessa semana recebemos novamente Letícia Cesarino, professora do Departamento de Antropologia da UFSC, para uma conversa sobre internet, política desinformação e como tudo isso está relacionado à crise dos modelos políticos e sociais contemporâneos. Através de uma análise baseada nas teorias da cibernética discutimos como a crise dos sistemas de peritos (cientistas, jornalistas e especialistas em geral) leva à produção de regimes de verdade alternativos. Estes seriam baseados num hiperindividualismo e numa “eupistemologia”, ou seja, na construção de conhecimentos através experiências caseiras e percepções pessoais. Essa forma de percepção e construção do real é então conectada com outras formas similares através das redes sociais, quando então constroem juntos um mundo paralelo – em outras palavras, um crowdsourcing do inferno. Por que a cibernética é importante para fazer esse tipo de análise? Despidos do institucionalismo típico da ciência política moderna mergulhamos no caos do neoliberalismo tardio e sua máquina de destruição de mentes.

Referências


O fetichismo do Qanon
A desinformação como método: Bolsonaro e o novo regime de verdade na pandemia
Pós-verdade e a crise do sistema de peritos: uma explicação cibernética
The hidden hierarchy of far-right digital guerrilla warfare
Viracasacas #165 – A Caixa Preta do Zap

Dicas Culturais

(Livro) Chaos: Making a New Science

(Livro) O Patriarcado do Salário

(Entrevista) Gregory Bateson e a Ecologia da Mente

– –
Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com


– –
Expediente
Pai-Fundador: Felipe Abal
Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã
Capas: Gui Toscan
Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#238 “O Direito, o liberalismo e tudo o que não presta”

Saudações pessoas! Nessa semana Carapanã e Gabriel Divan comentam a histórica mobilização indígena nacional no “Acampamento Luta pela Vida” e como a esdrúxula tese do Marco Temporal tem tudo a ver com a desgraça generalizada que se abateu no Brasil. O julgamento sobre a homologação da Terra Indígena Raposa Serra Sol foi o início de uma mobilização mais ampla de diversos setores conservadores, primeiro contra os povos indígenas e mais tarde contra o Brasil e os brasileiros. 2009 foi o ano no qual generais da ativa iam à TV contar lorotas sobre segurança nacional e Amazônia, recebendo muitos aplausos da oposição e ganhando capital político. O mais vocal deles hoje é peça fundamental do governo Bolsonaro. A tese do Marco Temporal é uma absoluta excrescência jurídica e sua manutenção coloca os povos indígenas em perigo. Não obstante, grandes veículos de mídia escolheram ignorar largamente as manifestações e reproduzir estudos “secretos” (sempre um eufemismo) e baboseiras sobre “insegurança jurídica” – chegando à repetir a tese ridícula de que os indígenas poderiam reivindicar Copacabana… O presidente do STF adiou o julgamento, o que acabou por quase desmobilizar os indígenas, e cá estamos. Falamos também sobre como qualquer VESTÍGIO de justiça fundiária sempre deixa as elites brasileiras apavoradas, uma vez que a apropriação de recursos públicos e a exploração ilegal de recursos naturais tem sido uma das principais formas de acumulação de riqueza pelos nossos senhores feudais. Como já disse uma figura ilustre “O Brasil tem um enorme passado pela frente”.

Referências

Dado espalhado por ruralistas sobre prejuízo com demarcação indígena vem de estudo “secreto”

O “marco temporal” da usurpação dos direitos indígenas

Viracasacas #180 – “Dono é quem desmata”: bolsonarismo, grilagem e florestas em chamas

Viracasacas #192 – O Ouro, o Mercúrio e o Índio

Viracasacas #220 – Grilagem para Principiantes

ehvarzea #018 – Levante pela Terra: contra o PL490 e o Marco Temporal

Dicas Culturais

(Seminário) Direitas, Fascismos, Bolsonarismo – Sessão 10: Letícia Cesarino e Isabela Kalil

(Documentário) UNTOLD Vol 1: Malice at the Palace

(Documentário) Marginal Alado

– –
Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com


– –
Expediente
Pai-Fundador: Felipe Abal
Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã
Capas: Gui Toscan
Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

#237 “O Afeganistão é ruim de invadir” – com Tanguy Baghdadi

Saudações pessoas! No Viracasacas dessa semana recebemos ele, o magnânimo professor de relações internacionais e host do Petit Journal: Tanguy Baghdadi! E vamos falar de Afeganistão, assunto deprimente pra caramba, já que o Viracasacas não é um podcast leve. Começamos falando da origem do Afeganistão como nação, das guerras coloniais e do pau seco que os ingleses tomaram em todas elas. Depois falamos da fundação do Afeganistão como um reino, do processo de modernização que guiou o país após a Segunda Guerra Mundial. O processo de modernização levou à aceleração de diversos conflitos internos (entre um interior feudal e teocrático e áreas urbanas num acelerado de transformação) e acabou culminando na queda da monarquia. Cinco anos mais tarde o país foi tomado pela Revolução de Saur, um levante socialista apoiado por diversos setores descontentes da população. A Revolução priorizou a reforma agrária e a secularização, chegando a conceder direitos políticos às mulheres, mas isso acabou acirrando os conflitos no interior do país. Esse cenário de instabilidade levou à disputas sangrentas entre duas facções de socialistas. A intervenção da União Soviética e sua posterior ocupação iniciou uma guerra sem precedentes num país já marcado por conflitos. Milícias regionais, de cunho étnico ou religioso, que já eram apoiadas pela CIA desde antes da ocupação soviética passaram receber ainda mais apoio e conseguiram ganhar a guerra. Desses grupos de Mujahidi viria a surgir mais tarde o Talibã (traduzido do pashto: os estudantes) um grupo marcado por sua interpretação do Islã que mistura uma adesão ao salafismo junto com códigos e costumes étnicos do povo pashtun. Em 1996 tomariam o Afeganistão e em 2001 se tornariam inimigo público número 2 dos Estados Unidos, atrás apenas da AlQaeda, grupo terrorista saudita que operava entre o Afeganistão e o Paquistão. Afeganistão invadido, Osama Bin Laden morto, governo provisório montado e depois de 20 anos de ocupação assistimos ao inevitável desmoronamento. De quem é a culpa? O que vai acontecer com o Afeganistão? Seria o fim da era das ocupações sob pretensões de nation building? Vamos discutir.

Referências

Viracasacas #147 Para Entender o Irã – com Tanguy Baghdadi

Politics Theory Other – The Taliban on the Verge of Victory – with Paul Rogers

Petit Journal – Talibã S.A. – De onde vem a grana?

Tariq Ali – Debacle in Afghanistan

Jamil Chade – Corrupção, deserção e traições: a história da vitória do Talibã

Constable – The Taliban has successfully built a parallel state in many parts of Afghanistan

Dicas Culturais

(Livro) O Afeganistão depois do Talibã

(Documentário) Bitter Lake

(Podcast) Nós da Imprensa

Apoie o Vira! clique aqui
Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir

#235 “Dano Colateral” – com Natália Viana

Saudações pessoas!

Essa semana conversamos com a jornalista Natália Viana (no Twitter: @VianaNatalia ) , diretora executiva da Agência Pública de Jornalismo, vencedora de inúmeros prêmios jornalísticos e autora de matérias e colaborações com vários veículos de gabarito, que está lançando pela Companhia das Letras a obra “Dano Colateral” que aborda a intervenção – ou será instalação….? – dos Militares na gestão da segurança pública brasileira. O que querem, o que pensam, até onde podem (ou pensam que podem chegar)? Qual o estilo e qual o panorama político que permite e convive com essa realidade? Em um período de franca fascistização dos discursos político-governamentais brasileiros e suas práticas, que relação tem essa usurpação confortável (para eles) desse espaço e desde quando podemos ver raízes desse fenômeno? Em tempos de motociatas, carreatas e tanqueatas assolando nosso país que parece ter mais nada com que se preocupar (…) um tema espinhoso – e necessário

O linguajar militar inclusive convive com, quando não aprova, uma série imensa de vidas perdidas a títulos de “danos colaterais” em operações e estratagemas que, à primeira vista, procuram garantir a lei. E a ordem.

Dicas Culturais

(Série) Demolidor – Netflix

(Disco) Happier Than Ever – Billi Eilish

(Livro) Rondon: uma biografia – Larry Rohter

Escute o Vira no seu agregador de podcasts preferido, em serviços de streaming como o Spotify (abaixo) ou diretamente do site do feed – podendo fazer download do mp3 se preferir em viracasacas.libsyn.com

Expediente
Pai-Fundador: Felipe Abal
Apresentação: Gabriel Divan e Carapanã
Capas: Gui Toscan
Edição de Áudio: Thiago Corrêa & Estopim Podcasts

Acima ↑